Startup de Belém lança aplicativo de caronas em SP

Com bom desempenho no Norte e Nordeste do País, Yet GO aposta em vantagem financeira para beliscar um mercado dominado por grandes marcas



Com o discurso de que o mercado é grande e quanto mais melhor, um aplicativo de caronas criado em Belém do Pará prepara-se para desembarcar no início de maio na cidade de São Paulo.

A Yet Go, startup lançada em novembro do ano passado, vem crescendo rápido no Norte e Nordeste do País, ocupando um espaço ainda não explorado pelas gigantes Uber, 99 e a emergente Cabify. Já são 30 mil motoristas cadastrados em cidades como Belém, Manaus e Salvador. Na capital paulista, a ideia é arregimentar outros 10 mil, número que segundo o fundador Alberto de Souza Júnior será alcançado apelando para o ponto mais sensível desse negócio: o bolso dos motoristas e dos clientes.

O principal apelo do aplicativo é a isenção da cobrança de preço dinâmico, que ajusta o cálculo do quilômetro rodado ao sabor da demanda dos clientes, e a não cobrança de taxa de cancelamento por desistência de corrida – o Uber cobra R$ 7 do usuário que cancelar a corrida depois de cinco minutos a partir da chamada.

Outro ponto é que o aplicativo também abre espaço para que taxistas possam rodar como fornecedores dentro da plataforma, o que os concorrentes não permitem.

“Fazemos uma análise de número máximo de motoristas a partir da quantidade de táxis de uma cidade. Tem de ser um motorista nosso para cada três taxistas. Como em são Paulo existem 30 mil táxis, fixamos um volume máximo em 10 mil para nossa presença”, explica Souza Júnior, que garante que, com o volume máximo de parceiros, o tempo de espera para uma corrida é de cinco minutos. “A gente quer segurar a expansão para garantir um bom dinheiro ao motorista”, diz ele.

EXPANSÃO

Sem caixa para uma expansão em massa como seus rivais ricos – somente a Uber é avaliada em US$ 69 bilhões -, Souza Júnior optou pelo licenciamento de marca para conseguir crescer. Todas as operações da Yet GO são cedidas para um parceiro investidor que, além de pagar uma taxa inicial e royalties mensais, precisa montar uma operação regional para dar suporte e treinamento aos motoristas.



O fundador da empresa, Alberto de Souza Júnior, investe no modelo de licenciamento para expandir

Em São Paulo, a operação foi adquirida por David Mafra, que já tem outras seis praças. Ele pagou R$ 1 milhão pela exclusividade de atuação na cidade e deve começar o processo de cadastramento e treinamento dos motoristas no começo de maio. O plano é que os carros comecem a rodar na segunda quinzena do mês.

“Esse mercado tem espaço para outras empresa”, conta o Alberto de Souza Júnior. “Em Belém, chegamos primeiro, em novembro, e o Uber começou em janeiro. Lá temos 1 mil motoristas e o Uber tem por volta de 100”, diz.

Artigo publicado originalmente ESTADÃO PME